Os anúncios são falsos, mas os riscos são reais. Com o avanço da IA, golpes envolvendo medicamentos em plataformas de comércio eletrônico e redes sociais têm se tornado cada vez mais sofisticados e preocupantes – especialmente pela aparência convincente de conteúdos completamente falsos. A tecnologia é usada para criar propagandas fictícias, simular a voz de especialistas e gerar depoimentos com o objetivo de enganar consumidores que, muitas vezes, estão em busca urgente de uma solução para seus problemas de saúde.
Na prática, a IA está sendo usada para vender medicamentos falsos na internet – e, principalmente, para lucrar com a vulnerabilidade de quem está sofrendo. Só em 2024, o Google suspendeu permanentemente mais de 700 mil contas de anunciantes infratores, removeu mais de 201 milhões de anúncios fraudulentos e bloqueou ou suspendeu 1,3 milhão de contas, de acordo com o Relatório de Segurança de Anúncios.
Segundo o documento, mais de 106 milhões de anúncios relacionados à saúde e medicamentos foram classificados como restritos por plataformas digitais. Entre os motivos para limitação ou bloqueio estão tentativas de burlar as regulamentações por meio do uso da IA, criando conteúdos que soam confiáveis – muitas vezes utilizando a voz de figuras públicas conhecidas.
Remédios falsos disfarçados pela credibilidade profissional
Com cenários verossímeis e uma voz extremamente parecida com a real, o “Drauzio” do vídeo afirma: “Você nunca mais terá varizes”. Mas o médico nunca disse isso. Assim como milhares de outros anúncios falsos que circulam nas redes, esse conteúdo foi manipulado por IA e promove produtos sem registro na Anvisa – ou até mesmo falsificados. Clique aqui para assistir ao depoimento de Drauzio Varella sobre o assunto.
O médico é apenas um entre os muitos nomes conhecidos utilizados em golpes online para promover a venda de medicamentos, suplementos e tratamentos falsos. Produtos que fazem promessas enganosas e representam riscos que vão além do prejuízo financeiro: colocam em perigo a saúde dos consumidores. Mas como se proteger?
Desconfiar sempre ajuda
Além das medidas adotadas pelo Google – que fortaleceu as defesas contra o uso indevido da imagem de figuras públicas por IA –, cada pessoa pode contribuir adotando uma postura crítica diante de anúncios suspeitos. Fique atento a sinais como:
- Microexpressões faciais estranhas ou pouco naturais (movimentos dos olhos e lábios);
- Falta de sincronia entre o movimento dos lábios e a fala;
- Sorrisos exagerados e artificiais;
- Mãos com formatos ou movimentos estranhos, incluindo dedos extras gerados por IA;
- Textura da pele excessivamente lisa, como se tivesse passado por um filtro;
- Iluminação e sombras incoerentes;
- Bordas de objetos borradas ou mal definidas;
- Quebra das leis da física ou aparições/desaparições inexplicáveis de pessoas ou objetos.
Também é fundamental avaliar o site onde a venda é realizada. Verifique se o produto tem registro na Anvisa e se a farmácia ou e-commerce é credenciado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Desconfie de preços muito baixos e prefira canais oficiais, como farmácias físicas reconhecidas ou sites com certificado digital e conexão segura (https).
Evite ainda anúncios que prometem curas milagrosas, assim como compras por links enviados em redes sociais ou aplicativos de mensagem. Confirme se o site exibe informações claras de contato e a identificação do responsável técnico. E cuidado com avaliações falsas: muitos comentários são gerados automaticamente por IA e não refletem experiências reais.
E, acima de tudo: antes de comprar ou usar qualquer medicamento, consulte sempre um médico ou farmacêutico de confiança.
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Referências:
https://services.google.com/fh/files/blogs/port_relatorio_seguranca_ads.pdf
https://www.instagram.com/reel/DFtJjdoJDVW/
https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/como-identificar-videos-de-ia-ultrarrealistas-veja-dicas/